{"id":12141,"date":"2024-08-26T06:07:41","date_gmt":"2024-08-26T09:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/?p=12141"},"modified":"2024-08-26T06:07:41","modified_gmt":"2024-08-26T09:07:41","slug":"escola-quilombola-forma-jovens-liderancas-para-defesa-de-comunidades-primeira-turma-do-projeto-concluiu-ciclo-de-formacao-na-ultima-semana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/2024\/08\/26\/escola-quilombola-forma-jovens-liderancas-para-defesa-de-comunidades-primeira-turma-do-projeto-concluiu-ciclo-de-formacao-na-ultima-semana\/","title":{"rendered":"Escola quilombola forma jovens lideran\u00e7as para defesa de comunidades Primeira turma do projeto concluiu ciclo de forma\u00e7\u00e3o na \u00faltima semana"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item alt-font\">\n<div class=\"post-item-wrap\">\n<p>Agencia Brasil<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/mg_8969.jpeg\" \/><\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o para o futuro. Um projeto inovador da <a href=\"https:\/\/conaq.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas<\/a>\u00a0(CONAQ) come\u00e7a a colher seus primeiros frutos. Na \u00faltima semana, um encontro em Bras\u00edlia celebrou a formatura da primeira turma da Escola Nacional de Forma\u00e7\u00e3o de Meninas Quilombolas. A iniciativa do Coletivo Nacional de Educa\u00e7\u00e3o da CONAQ conta com a participa\u00e7\u00e3o de 39 meninas e 11 meninos com idades entre 15 e 18 anos.<img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1609010&amp;o=node\" \/><img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1609010&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Com apoio do\u00a0<a href=\"https:\/\/malala.org\/countries\/brazil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fundo Malala<\/a>, a escola tem o objetivo de formar jovens\u00a0quilombolas, preferencialmente meninas, em temas diferentes de uma escola regular, focados em buscar propostas para\u00a0problemas enfrentados pela comunidade, combate\u00a0\u00e0s desigualdades na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Incentivada por um professor, Juliany Carla da Silva, de 16 anos, resolveu participar de um processo seletivo e conquistou uma vaga na\u00a0Escola Nacional de Forma\u00e7\u00e3o de Meninas Quilombolas. Agora, a jovem da comunidade de Trigueiros, em Vic\u00eancia (PE), faz parte da primeira turma de formandas da escola.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSempre fui muito incentivada por parte da fam\u00edlia, por parte de amigos e por parte da CONAQ. Romero, que era um dos professores da CONAQ, foi um dos que mais me apoiaram, que sempre incentivou os meus sonhos, sempre falou:\u00a0\u2018Corre atr\u00e1s que tu consegue, \u00e9 s\u00f3 estudar, estudar, estudar, estudar que voc\u00ea vai conseguir\u2019. E \u00e9 isso que estou fazendo, estou estudando e creio que um dia eu vou chegar l\u00e1\u201d, diz\u00a0a estudante \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"post-item-wrap\">\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/KXeAcM7k5iilbKg1R04xkxeaBno=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/21\/_mg_8987.jpg?itok=poCzCUpn\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 21.08.2024 - Juliany Carla da Silva na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o do Senado Federal (CE) durante audi\u00eancia p\u00fablica sobre a implementa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o escolar quilombola.  Foto: Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Bras\u00edlia (DF), 21.08.2024 &#8211; Juliany Carla faz parte da primeira turma da Escola de Meninas Quilombolas. Foto:\u00a0<strong>Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Atualmente, as aulas da escola s\u00e3o realizadas no formato virtual para estudantes\u00a0de diversas\u00a0regi\u00f5es do Brasil. Os estudantes continuam a frequentar as aulas regulares.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas anos no projeto, Glaydson \u00cdtalo de Jesus, de 16 anos, da comunidade Itamatatiua, em Alc\u00e2ntara (MA), integra a turma de formandos. Ele faz um curso t\u00e9cnico no Instituto Federal do Maranh\u00e3o, em\u00a0S\u00e3o Lu\u00eds. Mas pretende ir mais longe, e cursar\u00a0faculdade de direito na universidade federal\u00a0e interc\u00e2mbio nos Estados Unidos ou no Canad\u00e1.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs\u00a0quilombolas hoje em dia n\u00e3o t\u00eam muito direito \u00e0 posse de terra. Na minha comunidade, ainda n\u00e3o temos o t\u00edtulo da terra e eles lutam por isso. Ent\u00e3o, a CONAQ e essa movimenta\u00e7\u00e3o me ajudaram muito a escolher a profiss\u00e3o que eu quero seguir futuramente\u201d, conta.<\/p><\/blockquote>\n<p>Desde 2022, ativistas e professores v\u00eam construindo a pr\u00f3pria metodologia de trabalho em parceria com a juventude quilombola, observando\u00a0a realidade e as necessidades da comunidade. Quarenta\u00a0professores\u00a0quilombolas passaram por\u00a0cursos de qualifica\u00e7\u00e3o da CONAQ.<\/p>\n<h2>Realidade das comunidades<\/h2>\n<p>No curso, os jovens debatem e buscam solu\u00e7\u00f5es para os problemas enfrentados por suas comunidades. Um mais relatado pelos alunos \u00e9 a longa dist\u00e2ncia enfrentada diariamente para chegar nas escolas regulares, que ficam longe dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMuitas crian\u00e7as saem da nossa comunidade\u00a0atravessando o rio\u00a0pra escola. E n\u00e3o tem \u00f4nibus, nem nada. N\u00f3s temos uma lancha escolar, s\u00f3 que ela direto est\u00e1 quebrada e a\u00ed as crian\u00e7as faltam muito \u00e0s aulas. Eu queria que tivesse uma escola dentro da nossa comunidade\u201d, afirma\u00a0Lawanda Barros, 17 anos, moradora da Ilha de S\u00e3o Vicente, em Araguatins (TO).<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/y5HWq-5-DcD1Cx1Xbdb5jYD3Q7o=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/21\/_mg_9002.jpg?itok=vwiPHLjp\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 21.08.2024 - Ana Paula Mendes na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o do Senado Federal (CE) durante audi\u00eancia p\u00fablica sobre a implementa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o escolar quilombola.  Foto: Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Bras\u00edlia (DF), 21.08.2024 &#8211; Ana Paula Mendes participa de audi\u00eancia na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o do Senado Federal (CE) Foto:\u00a0<strong>Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ana Paula Sousa, 18 anos, do Quilombo Mour\u00f5es, em Col\u00f4nia do Piau\u00ed (PI), conta como descobriu os direitos de quilombola ao frequentar o curso.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Na minha comunidade, no come\u00e7o, a gente n\u00e3o sabia muito como era essa quest\u00e3o de quilombola, de se autodeclarar. A\u00ed, com pouco tempo que a gente foi vendo, conhecendo, a gente se autodeclarou quilombola. A\u00ed, eu queria fazer parte desse projeto, porque eu vi que era uma coisa muito interessante&#8221;, diz. Com apoio de educadores, a escola se prop\u00f5e a instigar o pensamento cr\u00edtico dos alunos para pautas sociais.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>\u201cO nosso foco \u00e9 muito o campo da advocacia. Tem transporte que n\u00e3o funciona? O que a gente pode fazer para funcionar? A quem a gente deve denunciar? Como que a gente deve se posicionar? Esse \u00e9 o papel fundamental da escola, ir al\u00e9m do conte\u00fado formal. Erguer a voz das meninas quilombolas\u201d,\u00a0explica Giv\u00e2nia Silva, uma das fundadoras do projeto.<\/p><\/blockquote>\n<p>De ter\u00e7a-feira (20) a sexta-feira (22), estudantes e participantes da iniciativa reuniram-se na capital federal para um encontro nacional.<\/p>\n<p>A promotora de justi\u00e7a Karoline Maia &#8211; primeira quilombola a chegar a esse cargo &#8211; foi uma das presentes. Ao destacar a import\u00e2ncia de a iniciativa permitir que meninas quilombolas estudem sem ter de deixar seus territ\u00f3rio, ela contou ter vivido um processo de perda cultural ao sair do Quilombo Juta\u00ed, situado no munic\u00edpio de Mon\u00e7\u00e3o (MA), para estudar na cidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um processo de desterritorializa\u00e7\u00e3o. Eu tenho saberes ancestrais, mas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o v\u00edvidos como seriam se eu tivesse crescido na comunidade.\u201d O evento tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o da ministra das Mulheres, Cida Gon\u00e7alves, que refor\u00e7ou o trabalho da escola no enfrentamento ao racismo e \u00e0 desigualdade. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para discutir esses dois elementos se voc\u00ea n\u00e3o discutir o racismo no Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem como discutir a desigualdade se voc\u00ea n\u00e3o trouxer efetivamente quem s\u00e3o as mulheres que est\u00e3o no processo de exclus\u00e3o no nosso pa\u00eds. Por isso, eu falo da import\u00e2ncia da escola. A escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um espa\u00e7o para voc\u00ea ser educado, como uma escola formal educa. \u00c9 um espa\u00e7o onde formam-se lideran\u00e7as que criam ra\u00edzes no seu territ\u00f3rio, ra\u00edzes de resist\u00eancia para permanecer no territ\u00f3rio (quilombola)\u201d.<\/p>\n<p><em>* Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o de Marcelo Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\">Edi\u00e7\u00e3o: Carolina<\/p>\n<div id=\"ebc-ouvidoria\">\n<div id=\"barraManifestacao\" class=\"eouv-manifestacoes d-print-none\">\n<h4>D\u00ea sua opini\u00e3o sobre a qualidade do conte\u00fado que voc\u00ea acessou.<\/h4>\n<p>Escolha sua manifesta\u00e7\u00e3o em apenas um clique.<\/p>\n<p>Voc\u00ea ser\u00e1 direcionado(a) para o sistema Fala.BR, mas \u00e9 com a EBC que estar\u00e1 dialogando. O Fala.BR \u00e9 uma plataforma de comunica\u00e7\u00e3o da sociedade com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por meio das Ouvidorias.<\/p>\n<p>Sua opini\u00e3o ajuda a EBC a melhorar os servi\u00e7os e conte\u00fados ofertados ao cidad\u00e3o. Por isso, n\u00e3o se esque\u00e7a de incluir na sua mensagem o link do conte\u00fado alvo de sua manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agencia Brasil Educa\u00e7\u00e3o para o futuro. Um projeto inovador da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas\u00a0(CONAQ) come\u00e7a a colher seus primeiros frutos. Na \u00faltima semana, um encontro em Bras\u00edlia celebrou a formatura da primeira turma da Escola Nacional de Forma\u00e7\u00e3o de Meninas Quilombolas. 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