{"id":22967,"date":"2026-07-08T08:19:53","date_gmt":"2026-07-08T11:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/?p=22967"},"modified":"2026-07-08T08:19:53","modified_gmt":"2026-07-08T11:19:53","slug":"pacientes-do-nordeste-percorrem-162-km-para-fazer-radioterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/2026\/07\/08\/pacientes-do-nordeste-percorrem-162-km-para-fazer-radioterapia\/","title":{"rendered":"Pacientes do Nordeste percorrem 162 km para fazer radioterapia"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/no-brasil-a-distancia-media-percorrida-para-realizar-radioterapia-e-de-120-quilometros-mas-as-difere.jpeg\" width=\"471\" height=\"314\" \/><\/p>\n<p>Moradores da Bahia e de outros estados do Nordeste que precisam de radioterapia para tratar o c\u00e2ncer enfrentam um obst\u00e1culo que vai al\u00e9m da pr\u00f3pria doen\u00e7a: a dist\u00e2ncia at\u00e9 os centros especializados. Um estudo publicado em fevereiro no International Journal of Radiation Oncology revelou que pacientes nordestinos percorrem, em m\u00e9dia, 161,8 quil\u00f4metros entre a resid\u00eancia e a unidade onde recebem o tratamento \u2014 mais que o dobro da m\u00e9dia registrada nas regi\u00f5es Sul (71,3 km) e Sudeste (73,8 km).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/IHp0O43.png\" width=\"479\" height=\"178\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_mrec_destaque sticky\">\n<div id=\"internas_336x280_01\">A pesquisa, divulgada pela Ag\u00eancia Einstein, analisou mais de 840 mil procedimentos de radioterapia realizados no Brasil entre 2017 e 2022 e identificou desigualdades geogr\u00e1ficas, sociais e estruturais que dificultam o acesso ao tratamento e podem comprometer as chances de cura dos pacientes.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"galeria-simples-gcy3ob9xyp\" class=\"component--galeria simples\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"galeria-caption\">\n<div class=\"caption\">\n<div class=\"credit\">Pintas com mais de 6 mm podem indicar c\u00e2ncer de pele e precisam de avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u00a0 por Imagem: Photoroyalty | Shutterstock<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-z461ns7lwn\">No Brasil, a dist\u00e2ncia m\u00e9dia percorrida para realizar radioterapia \u00e9 de 120 quil\u00f4metros, mas as diferen\u00e7as regionais s\u00e3o expressivas. Enquanto pacientes do Centro-Oeste percorrem, em m\u00e9dia, 238,9 km, no Norte o deslocamento chega a impressionantes 442,2 quil\u00f4metros, cerca de seis vezes mais do que no Sul e Sudeste.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-u3be77l0u8\">Segundo a r\u00e1dio-oncologista Ana Carolina de Rezende, do Hospital Israelita Einstein, aproximadamente 60% dos pacientes brasileiros precisam sair do munic\u00edpio onde vivem para receber radioterapia.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/i.imgur.com\/In7Nv7n.gif\" alt=\"prefeitura de ilheus\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-z7njmxczvo\">&#8220;Embora haja um aumento de equipamentos, ele \u00e9 modesto diante do n\u00famero crescente de pacientes e engloba tanto equipamentos novos como outros com mais de 20 anos de uso e j\u00e1 defasados&#8221;, afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Einstein.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_intext inline-block text-center w-full h-280\">\n<div id=\"internas_336x280_02\">Desigualdade vai al\u00e9m da dist\u00e2ncia<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-q0c7ywrhuf\">De acordo com o principal autor do estudo, o r\u00e1dio-oncologista Fabio Ynoe de Moraes, membro da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR), o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na extens\u00e3o territorial do pa\u00eds, mas principalmente na concentra\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os especializados nas regi\u00f5es mais desenvolvidas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-8p1zmts2zu\">&#8220;Os dados sugerem que o principal determinante n\u00e3o \u00e9 a dimens\u00e3o territorial, mas a distribui\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica da infraestrutura oncol\u00f3gica, fortemente correlacionada \u00e0s desigualdades regionais de desenvolvimento&#8221;, explicou \u00e0 Ag\u00eancia Einstein.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ersu5myvv2\">A pesquisa tamb\u00e9m identificou desigualdades raciais. Entre 2017 e 2022, pacientes negros, pardos, ind\u00edgenas e amarelos percorreram, em m\u00e9dia, 145,6 quil\u00f4metros para fazer radioterapia, enquanto pacientes brancos viajaram 97,3 quil\u00f4metros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-qn8tnlctku\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">Longas viagens podem comprometer o tratamento<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-6pogi0xa8w\">Os especialistas alertam que a necessidade de percorrer grandes dist\u00e2ncias afeta diretamente a continuidade do tratamento. Como a radioterapia normalmente \u00e9 realizada em sess\u00f5es di\u00e1rias durante v\u00e1rias semanas, muitos pacientes precisam encontrar moradia tempor\u00e1ria perto do hospital ou dependem de casas de apoio e assist\u00eancia social.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_intext inline-block text-center w-full h-280\">\n<div id=\"internas_336x280_03\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-jmeral57xn\">Segundo Ana Carolina de Rezende, parte dos pacientes acaba atrasando o in\u00edcio do tratamento ou at\u00e9 desistindo das sess\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-vkqj4lxbso\">&#8220;Infelizmente, muitos abandonam o tratamento ou atrasam seu in\u00edcio pelas dificuldades de deslocamento. Isso reduz a efetividade da terapia, aumenta o risco de recidiva e diminui a sobrevida livre da doen\u00e7a&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-ysqghqizkb\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">Tecnologia concentrada em poucos centros<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-7honn66hai\">O estudo tamb\u00e9m mostra que os tratamentos mais modernos continuam restritos a poucos hospitais brasileiros. Procedimentos radioter\u00e1picos mais complexos exigem deslocamentos, em m\u00e9dia, 45 quil\u00f4metros maiores do que os tratamentos convencionais.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-aav1n32vtx\">Al\u00e9m da infraestrutura tecnol\u00f3gica, esses procedimentos dependem de equipes altamente capacitadas, ainda concentradas em poucos centros de refer\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-6vd9s14mjg\">Uma das alternativas apontadas pelos pesquisadores \u00e9 ampliar o uso da radioterapia hipofracionada, t\u00e9cnica que reduz significativamente o n\u00famero de sess\u00f5es sem comprometer a efic\u00e1cia em determinados casos, como alguns tipos de c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article_intext inline-block text-center w-full h-280\">\n<div id=\"internas_336x280_04\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-wf6wg2aabv\">Enquanto tratamentos tradicionais podem exigir entre 25 e 30 aplica\u00e7\u00f5es, os protocolos mais recentes permitem concluir o tratamento em 10 ou at\u00e9 cinco sess\u00f5es, reduzindo o tempo de deslocamento dos pacientes e aumentando o acesso.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-hx0tmy0che\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">Demanda deve crescer nos pr\u00f3ximos anos<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-o9kd3tdv04\">O desafio tende a aumentar. Segundo estimativas do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), o Brasil dever\u00e1 registrar um crescimento de aproximadamente 10% nos casos de c\u00e2ncer at\u00e9 o fim desta d\u00e9cada, em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros observados at\u00e9 2022.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-038vca80xn\">Embora cerca de nove em cada dez pacientes submetidos \u00e0 radioterapia sejam pessoas com c\u00e2ncer, o tratamento tamb\u00e9m \u00e9 utilizado em algumas doen\u00e7as benignas, malforma\u00e7\u00f5es, aneurismas e casos espec\u00edficos de neuralgia do trig\u00eameo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-x8v0o6nk93\">Para os autores da pesquisa, ampliar a oferta de equipamentos n\u00e3o ser\u00e1 suficiente se os investimentos n\u00e3o forem acompanhados por uma distribui\u00e7\u00e3o mais equilibrada dos servi\u00e7os especializados pelo pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-vn9wlpv3ve\">&#8220;O desafio central \u00e9 expandir a capacidade de forma sustent\u00e1vel e equitativa, alinhando crescimento tecnol\u00f3gico \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das disparidades regionais&#8221;, conclui Fabio Moraes.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores da Bahia e de outros estados do Nordeste que precisam de radioterapia para tratar o c\u00e2ncer enfrentam um obst\u00e1culo que vai al\u00e9m da pr\u00f3pria doen\u00e7a: a dist\u00e2ncia at\u00e9 os centros especializados. 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