{"id":9662,"date":"2024-03-08T11:19:53","date_gmt":"2024-03-08T14:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/?p=9662"},"modified":"2024-03-08T11:19:53","modified_gmt":"2024-03-08T14:19:53","slug":"seis-em-100-mulheres-do-pais-enfrentavam-extrema-pobreza-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/2024\/03\/08\/seis-em-100-mulheres-do-pais-enfrentavam-extrema-pobreza-em-2022\/","title":{"rendered":"Seis em 100 mulheres do pa\u00eds enfrentavam extrema pobreza em 2022"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.correiodascidades.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/pobreza.jpeg\" width=\"475\" height=\"292\" \/><\/p>\n<p>As mulheres vivendo na extrema pobreza, ou seja, com at\u00e9 R$ 200 por m\u00eas, somavam 6,1% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em 2022, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O percentual \u00e9 superior ao dos homens (5,7%), de acordo com o instituto.<img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1584821&amp;o=node\" \/><img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1584821&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Considerando-se aquelas na pobreza, ou seja, que vivem com menos de R$ 637 por m\u00eas, o percentual chega a 32,3%. Nesse recorte de renda, a parcela dos homens tamb\u00e9m \u00e9 menor (30,9%).<\/p>\n<p>A pobreza separa mais negros dos brancos do que homens de mulheres. As brancas que convivem com a extrema pobreza e a pobreza representam 3,6% e 21,3% da popula\u00e7\u00e3o feminina dessa cor\/ra\u00e7a. J\u00e1 as negras nessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o 8% e 41,3% de sua popula\u00e7\u00e3o, ou seja, cerca do dobro.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o alguns dos dados divulgados pelo IBGE, em publica\u00e7\u00e3o especial para o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de mar\u00e7o. O levantamento mostra, por exemplo, que o rendimento recebido pelas mulheres equivale a 78,9% dos homens. A desigualdade aumenta com a idade, passando de 87,9% na faixa de 14 a 29 anos para 65,9% para 60 anos ou mais. <!--more--><\/p>\n<p>Entre os profissionais de ci\u00eancias e intelectuais, o sal\u00e1rio das mulheres representa\u00a0apenas 63,3% do que recebem os homens.<\/p>\n<p>Entre as mulheres de 25 a 54 anos, 63,3% est\u00e3o ocupadas, enquanto entre os homens da mesma faixa et\u00e1ria, a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 de 84,5%. Al\u00e9m do n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o menor, as mulheres inseridas no mercado tamb\u00e9m precisam enfrentar mais a informalidade (39,6%) do que os homens (37,3%).<\/p>\n<p>Comparando-se a taxa de informalidade das mulheres pretas ou pardas (45,4%) e dos homens brancos (30,7%), a diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade em casa desfavorece a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, mas favorece os homens. Enquanto o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o de mulheres que vivem com crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria cai para 56,6%, o de homens sobe para 89%. As pretas e pardas nessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais afetadas (51,7% de ocupa\u00e7\u00e3o) que as brancas (64,2%).<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as que impactam o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. A realiza\u00e7\u00e3o de afazeres dom\u00e9sticos tamb\u00e9m desfavorece esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>As mulheres dedicavam, em m\u00e9dia, 21,3 horas semanais a afazeres dom\u00e9sticos ou cuidado de pessoas, em 2022. Isso representa quase o dobro do tempo que os homens gastavam nas mesmas tarefas (11,7 horas).<\/p>\n<p>\u201cPede-se para estimar o conjunto de horas que foram dedicadas naquela semana de refer\u00eancia [a essas atividades]. A pesquisa pergunta se precisou levar ou buscar uma crian\u00e7a na escola, se ajudou a fazer tarefas de casa, se cuidaram de pessoas com defici\u00eancia ou idosos. E pede-se para estimar a quantidade de tempo que a pessoa dedicou a essas tarefas\u201d, explica a pesquisadora B\u00e1rbara Cobo.<\/p>\n<p>Segundo ela, desde 2012 n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a significativa no tempo dedicado por homens ou mulheres nessas tarefas. \u201cA diferen\u00e7a entre homens e mulheres diminuiu pouco, continuam as mulheres mais ou menos fazendo o dobro de horas na semana em trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado que os homens\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segundo o IBGE, as mulheres pretas ou pardas gastavam ainda mais tempo (22 horas) que as brancas (20,4) nas tarefas dom\u00e9sticas ou cuidado de pessoas, ou seja, 1,6 hora a mais.<\/p>\n<p>O trabalho dom\u00e9stico acaba representando dupla jornada para muitas mulheres que, fora de casa, t\u00eam empregos remunerados. Somando-se o tempo de trabalho remunerado e n\u00e3o remunerado, o p\u00fablico feminino tamb\u00e9m trabalha mais (54,4 horas) do que os homens (52,1 horas).<\/p>\n<p>As tarefas dom\u00e9sticas tamb\u00e9m s\u00e3o um dos motivos que fazem com que mais mulheres tenham que assumir apenas trabalhos com carga hor\u00e1ria menor, os chamados trabalhos parciais. Segundo o IBGE, 28% da popula\u00e7\u00e3o feminina ocupada est\u00e3o em trabalho parcial. Entre os homens, o percentual \u00e9 de apenas 14,4%.<\/p>\n<p>As pretas e pardas t\u00eam percentual maior do que as brancas, em termos de popula\u00e7\u00e3o ocupada em trabalhos parciais: 30,9% ante 24,9%.<\/p>\n<p>\u201cComo o dia s\u00f3 tem 24 horas e as mulheres se dedicam mais a cuidar dos afazeres [dom\u00e9sticos], sobram menos horas para elas se inserirem no mercado de trabalho. Isso \u00e9 hist\u00f3rico\u201d, afirmou B\u00e1rbara.<\/p>\n<h2>Luta permanente<\/h2>\n<p>A sergipana Ant\u00f4nia do Perp\u00e9tuo Socorro dos Santos chegou ao Rio de Janeiro aos 20 anos para ser empregada dom\u00e9stica na casa de um casal em Ipanema, na zona sul da cidade. Passava o dia inteiro na resid\u00eancia, onde tamb\u00e9m dormia de segunda at\u00e9 a tarde de s\u00e1bado, quando ia para casa.<\/p>\n<p>As mulheres vivendo na extrema pobreza, ou seja, com at\u00e9 R$ 200 por m\u00eas, somavam 6,1% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em 2022, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O percentual \u00e9 superior ao dos homens (5,7%), de acordo com o instituto.<img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1584821&amp;o=node\" \/><img src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1584821&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Considerando-se aquelas na pobreza, ou seja, que vivem com menos de R$ 637 por m\u00eas, o percentual chega a 32,3%. Nesse recorte de renda, a parcela dos homens tamb\u00e9m \u00e9 menor (30,9%).<\/p>\n<p>A pobreza separa mais negros dos brancos do que homens de mulheres. As brancas que convivem com a extrema pobreza e a pobreza representam 3,6% e 21,3% da popula\u00e7\u00e3o feminina dessa cor\/ra\u00e7a. J\u00e1 as negras nessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o 8% e 41,3% de sua popula\u00e7\u00e3o, ou seja, cerca do dobro.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o alguns dos dados divulgados pelo IBGE, em publica\u00e7\u00e3o especial para o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de mar\u00e7o. O levantamento mostra, por exemplo, que o rendimento recebido pelas mulheres equivale a 78,9% dos homens. A desigualdade aumenta com a idade, passando de 87,9% na faixa de 14 a 29 anos para 65,9% para 60 anos ou mais.<\/p>\n<p>Entre os profissionais de ci\u00eancias e intelectuais, o sal\u00e1rio das mulheres representa\u00a0apenas 63,3% do que recebem os homens.<\/p>\n<p>Entre as mulheres de 25 a 54 anos, 63,3% est\u00e3o ocupadas, enquanto entre os homens da mesma faixa et\u00e1ria, a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 de 84,5%. Al\u00e9m do n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o menor, as mulheres inseridas no mercado tamb\u00e9m precisam enfrentar mais a informalidade (39,6%) do que os homens (37,3%).<\/p>\n<p>Comparando-se a taxa de informalidade das mulheres pretas ou pardas (45,4%) e dos homens brancos (30,7%), a diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade em casa desfavorece a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, mas favorece os homens. Enquanto o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o de mulheres que vivem com crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria cai para 56,6%, o de homens sobe para 89%. As pretas e pardas nessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais afetadas (51,7% de ocupa\u00e7\u00e3o) que as brancas (64,2%).<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as que impactam o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. A realiza\u00e7\u00e3o de afazeres dom\u00e9sticos tamb\u00e9m desfavorece esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>As mulheres dedicavam, em m\u00e9dia, 21,3 horas semanais a afazeres dom\u00e9sticos ou cuidado de pessoas, em 2022. Isso representa quase o dobro do tempo que os homens gastavam nas mesmas tarefas (11,7 horas).<\/p>\n<p>\u201cPede-se para estimar o conjunto de horas que foram dedicadas naquela semana de refer\u00eancia [a essas atividades]. A pesquisa pergunta se precisou levar ou buscar uma crian\u00e7a na escola, se ajudou a fazer tarefas de casa, se cuidaram de pessoas com defici\u00eancia ou idosos. E pede-se para estimar a quantidade de tempo que a pessoa dedicou a essas tarefas\u201d, explica a pesquisadora B\u00e1rbara Cobo.<\/p>\n<p>Segundo ela, desde 2012 n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a significativa no tempo dedicado por homens ou mulheres nessas tarefas. \u201cA diferen\u00e7a entre homens e mulheres diminuiu pouco, continuam as mulheres mais ou menos fazendo o dobro de horas na semana em trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado que os homens\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segundo o IBGE, as mulheres pretas ou pardas gastavam ainda mais tempo (22 horas) que as brancas (20,4) nas tarefas dom\u00e9sticas ou cuidado de pessoas, ou seja, 1,6 hora a mais.<\/p>\n<p>O trabalho dom\u00e9stico acaba representando dupla jornada para muitas mulheres que, fora de casa, t\u00eam empregos remunerados. Somando-se o tempo de trabalho remunerado e n\u00e3o remunerado, o p\u00fablico feminino tamb\u00e9m trabalha mais (54,4 horas) do que os homens (52,1 horas).<\/p>\n<p>As tarefas dom\u00e9sticas tamb\u00e9m s\u00e3o um dos motivos que fazem com que mais mulheres tenham que assumir apenas trabalhos com carga hor\u00e1ria menor, os chamados trabalhos parciais. Segundo o IBGE, 28% da popula\u00e7\u00e3o feminina ocupada est\u00e3o em trabalho parcial. Entre os homens, o percentual \u00e9 de apenas 14,4%.<\/p>\n<p>As pretas e pardas t\u00eam percentual maior do que as brancas, em termos de popula\u00e7\u00e3o ocupada em trabalhos parciais: 30,9% ante 24,9%.<\/p>\n<p>\u201cComo o dia s\u00f3 tem 24 horas e as mulheres se dedicam mais a cuidar dos afazeres [dom\u00e9sticos], sobram menos horas para elas se inserirem no mercado de trabalho. 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