Ferry-boat: Jerônimo diz que ‘sofre muito’ e detona Agerba e a Internacional. Jaques Wagner e Otto Alencar seguem calados até agora.

A concessão do Sistema Ferry-boat, realizada em janeiro de 2014 pelo então governador Jaques Wagner e pelo seu vice-governador Otto Alencar, que era o secretário de Infraestrutura da Bahia e que tinha o comando da Agerba. pode ser revista pelo governador Jerônimo Rodrigues, que detonou nesta quarta-feira (12) os péssimos serviços prestados pela empresa maranhense Internacional Travessias.
Jerônimo fez um verdadeiro desabafo e afirmou que sofre muito com a péssima qualidade dos serviços prestada à população da Bahia pela Internacional. Imaginem, caros leitores, como não deve ser o sofrimento daqueles que precisam utilizar diariamente um serviço tão caótico e que envergonha a Bahia, como é o Sistema Ferry-boat. Serviço que está assim, com essa qualidade tão ordinária, desde que Jaques Wagner (PT) assumiu o governo da Bahia. Wagner governou por 8 anos, Rui Costa passou mais 8 anos e agora Jerônimo Rodrigues, com dois anos governando, surge dizendo que sofre muito com a situação caótica atual do sistema.
No vácuo das bombásticas e chorosas declarações, Jerônimo também detonou e não poupou críticas à gestão atual da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) que é responsável pela fiscalização do sistema Ferry-boat. Ele não descartou a possibilidade de romper o atual contrato de concessão, que tem bondosos 25 anos de duração e que foi celebrado em 2014. Todo o processo licitatório foi executado pela Agerba, é bom que fique claro, sempre acusada de negligenciar em suas atribuições de fiscalizar realmente a concessionária e o cumprimento contrato, inclusive pelo Ministério Público da Bahia.
“Vocês sabem o quanto eu sofro, eu sou usuário, sou usuário, não tenho lancha (para ir para Ilha), eu não uso lancha, eu sempre que posso eu vou, a não ser uma agenda mais rápida, que eu uso o helicóptero, mas sempre que eu posso eu vou de Ferry-boat. Aguardo, tem a hora marcada, eu faço isso, como qualquer pessoa faz, não estou me escondendo. E me constrangeu bastante a forma como foi conduzida”, comentou o governador, durante cerimônia nesta quarta-feira (12) para a entrega de leitos de UTI no Hospital Ana Nery, em Salvador.
Questionado sobre a demora na aquisião de novas embarcações para o Sistema Ferry-boat, Jerônimo declarou que já convocou a Agerba para prestar esclarecimentos. Diante do avanço no processo de construção da Ponte Salvador-Itaparica, que ainda está no estágio de sondagem dos pilares iniciais, o governador afirmou que o serviço (ferry-boat)ainda precisa ser prestado com a qualidade necessária para a população.
“Chamei a Agerba, não tá correto, eu não concordo com isso. A Agerba é responsável por isso, assim como o transporte regional, metropolitano, é de responsabilidade da Agerba, e eu naturalmente não fico contente com as coisas quando estão equivocadas ou erradas, eu não concordo com isso. A Agerba não está fazendo um serviço correto. A paciência esgota e eu retomei isso para o meu gabinete, pedi para refazer a licitação (compra de ferries), espero que junto com a Seinfra ou Sedur, que tem a ver com mobilidade urbana, tem a ver com o ferry-boat, e Casa Civil, porque diz respeito ao financeiro”, declarou.
“Eu não quero pagar esse mico porque eu sei a dificuldade, vamos lá fazer a ponte. A ponte vai estar lá daqui a cinco ou seis anos, o que eu quero ver, naturalmente, são os pilares, a ponte andando no ritmo bom. Mas enquanto isso, nós vamos esperar os feriados, os dias de Natal, os dias das mães que as pessoas vão para a ilha, que nem sempre é para curtir, não, já que são as pessoas que moram no outro lado da ilha, no encosto da Ilha, de Nazaré, que não têm que dar essa volta. Vocês já já terão resposta concreta sobre isso”, finalizou o governador em conversa com jornalistas.
Agerba é controlada por Otto Alencar e Ângelo Coronel, aliadíssimos do PT de Jerônimo.
do ferry-boat Agenor Gordilho, em novembro de 2013. Este ferry foi para o fundo do mar por decisão do Governo da Bahia, em novembro de 2020. Foto: Arquivo/Jornal da Mídia.
Mas, quem comanda a Agerba que o governador Jerônimo Rodrigues está detonando agora?
A Agerba, hoje, é comandada por Carlos Henrique de Azevedo Martins, diretor-executivo. nada mais nada menos que irmão do senador Ângelo Coronel (PSD), aliadissimo do PT de Jerônimo. Carlos Henrique foi nomeado para o cargo principal da agência de Regulação pelo ex-governador Rui Costa. Mas Jerônimo renovou o contrato do irmão de Coronel na Agerba em março 2023.
Antes de Calos Henrique, o mandatário maior da Agerba era Eduardo Pessoa, afilhado do senador Otto Alencar, que era na época de Wagner o comandante da Seinfra, a Secretaria de Infraestrutura, uma das mais fortes da estrutura do Estado da Bahia. Eduardo Pessoa comandou a Agerba por oito anos. Foi em sua gestão que o governo interviu no Sistema Ferry-boat e rompeu o contrato que o Estado mantinha com a TWB. Saiu a TWB e entrou uma concessionária pior, com incrível histórico de péssimos serviços prestados no Maranhão onde opera uma travessia de pequeno porte se comparada ao Sistema Ferry-boat da Bahia.
Foi na gestão de Otto Alencar, na Seinfra e de Eduardo Pessoa, na Agerba, que a então Internacional Marítima, batizada aqui na Bahia de Internacional Travessias, chegou para assumir o Sistema Ferry-boat.. A empresa, na época, era muito ligada à família do ex-senador José Sarney.
O dono da Internaciona Travessias foi sócio de Jorge Murad, ex-marido de Roseane Sarney, na época governadora do Maranhão.
Vamos ver mais adiante se o governador Jerônimo vai realmente adotar medidas contra a Agerba e a Internacional Travessias, anunciadas por ele durante ato no Hospital Ana Nary nesta quarta-feira, com direito a “muito sofrimento”.














