Seis policiais são afastados após denúncia por mortes durante operação

Os seis policiais denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) por envolvimento nas mortes de dois homens durante a Operação Travessia, realizada em maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro, foram afastados cautelarmente das funções pela Justiça.
A decisão da 1ª Vara Criminal de Porto Seguro recebeu a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública do MPBA (Geosp) e determinou que os agentes também não tenham contato com familiares das vítimas e testemunhas do processo.
Foram denunciados os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade, além dos policiais militares Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mario Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota.
Vítimas da operação
Uma das vítimas foi o guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana, à época com 29 anos, morto durante a ação conjunta das polícias Civil e Militar, no dia 10 de maio de 2025, em Caraíva.
O outro homem morto foi Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como Alongado. Segundo informações do MPBA, ele seria o principal alvo da Operação Travessia e possuía um mandado de prisão em aberto.
A operação tinha como objetivo cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. Durante a ação, um homem, que não teve a identidade divulgada, chegou a ser preso.

Denúncia do Ministério Público
Segundo o MPBA, os seis policiais respondem por dois homicídios qualificados. A denúncia aponta circunstâncias como suposto motivo torpe, uso de arma de fogo de uso restrito, dificuldade de defesa das vítimas e risco causado a terceiros.
Os agentes integravam uma equipe formada por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), que participaram da operação em Caraíva.
Conforme a denúncia, uma das vítimas teria sido atingida por diversos disparos em um local público. A outra teria sido abordada e revistada antes de ser baleada.
Laudos periciais também apontaram lesões que, segundo o MPBA, seriam compatíveis com agressões anteriores aos tiros.
Acusação de fraude processual
Além das acusações relacionadas aos homicídios, os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade também foram denunciados por suposta fraude processual.
Conforme o Ministério Público, após as mortes, os agentes teriam realizado ações para modificar a cena dos fatos e dificultar a reconstrução da dinâmica do ocorrido.
O processo segue em tramitação na Justiça, que irá avaliar as acusações apresentadas contra os policiais.












