Universidade Federal do Rio de Janeiro concede título de doutor honoris causa a Gilberto Gil

Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido mundialmente como Gilberto Gil, recebeu nesta terça-feira, dia 10/12, o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A cerimônia foi no auditório Leopoldo Miguez da Escola de Música, localizada na Rua do Passeio, na Lapa, e teve transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Universidade.
Este reconhecimento, que partiu de uma iniciativa da Escola de Música e aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) em fevereiro de 2024, destaca sua trajetória como um dos maiores artistas brasileiros, sua atuação como defensor da democracia e seu legado político-cultural no Brasil e no mundo.
Ainda jovem, participou de festivais locais de música no final dos anos 1950, antes de se mudar para São Paulo no início dos anos 1960. Foi nessa época que ele viveu a efervescência da bossa nova e deu início a uma trajetória que culminaria no movimento Tropicalista, do qual foi cofundador, ao lado de nomes como Caetano Veloso, Gal Costa e Tom Zé.
Uma de suas apresentações mais marcantes foi no Festival de Música Popular Brasileira de 1967, com a canção Domingo no Parque, que incorporava elementos de música popular e experimental, apresentada com arranjo de Rogério Duprat e acompanhada pelo grupo Os Mutantes.
Prisão e exílio
O Tropicalismo, marcado pela fusão de gêneros brasileiros e globais, como o rock, o pop e o reggae, provocou uma revolução cultural no Brasil ao desafiar os padrões musicais e políticos da época. A inovação estética, combinada ao uso de guitarras elétricas e à influência da contracultura, posicionou Gil e seus companheiros como alvos de censura tanto pelo regime militar quanto por setores da oposição.
O exílio de Gilberto Gil foi uma consequência direta da repressão imposta pela ditadura civil-militar brasileira, especialmente após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado em dezembro de 1968. Em 27/12/1968, dias depois de apresentar a canção Questão de Ordem no III Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, foi preso – exatamente 14 dias após a decretação do AI-5, sob a acusação de “desrespeito a símbolos nacionais” durante apresentações artísticas.
Política
Além da música, Gil construiu uma destacada carreira política. Em 1987 e 1988, presidiu a Fundação Gregório de Mattos, em Salvador, onde atuou na formulação de políticas culturais. Entre 1989 e 1992, exerceu mandato de vereador na capital baiana. Mais tarde, entre 2003 e 2008, foi ministro da Cultura. Nesse período, implementou políticas inovadoras, como o programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura, que ampliaram o acesso à cultura e promoveram a diversidade cultural brasileira.














