Como a Bahia se tornou a segunda maior produtora de banana, a fruta mais popular do Brasil

Os povos originários que viviam no território que hoje corresponde à Bahia já cultivavam a banana bem antes de os portugueses aportarem aqui. Mas se a chamada bananicultura remonta ao século 17 no país, foi a partir dos anos 1970 que houve uma virada de chave para que a Bahia se tornasse o segundo maior produtor brasileiro de uma das frutas mais consumidas do mundo.
Foi somente nos anos 1970 que a irrigação começou a ser implementada, inicialmente no Projeto Formoso, um programa piloto em Bom Jesus da Lapa, que até hoje é o sexto município que mais produz no Brasil. Só no ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram 133 mil toneladas.
“O cultivo de banana e de banana-da-terra na Bahia é muito antigo e se deve, em especial, às condições ambientais muito favoráveis para a fruta, com altas temperaturas durante o ano, elevada insolação e regime de chuva adequado. No caso de Bom Jesus da Lapa, local com baixa precipitação, a suplementação de água via irrigação é o grande diferencial para altas produtividades, pois é possível atender plenamente às necessidades diárias de água das plantas”, explica o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Edson Perito Amorim, que é coordenador do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa.
Desde o começo do uso da irrigação em Bom Jesus da Lapa, o uso da tecnologia só cresceu, como explica o gerente regional da Pivot Irrigação, João Morais. A empresa revende os pivôs (os sistemas mecanizados que distribuem água sobre o plantio) Lindsay, marca que é líder mundial em irrigação no agronegócio.
“A irrigação entrou na bananicultura para permitir que os produtores pudessem controlar o volume de água e os nutrientes na cultura. Se a gente considerar que a distribuição de chuva ano a ano, além de diminuir a quantidade, vem ficando mais esparsas ou chovendo muito próximo, a cultura não consegue absorver e não tem o desenvolvimento que deveria”, explica.
Hoje, de acordo com Morais, os principais sistemas de irrigação usados para a banana são a irrigação localizada e o pivô central. Depois da região de Bom Jesus da Lapa, entre a década de 1990 e os anos 2000, o projeto de irrigação se expandiu para a área de Juazeiro e Petrolina (PE), assim como para a fruticultura em geral. Mas, na Bahia, hoje, os principais produtores de banana são os municípios de Wenceslau Guimarães, Teolândia, Curaçá e Presidente Tancredo Neves.
Nos últimos anos, o consumo da banana cresceu e ainda se tornou uma
, em meio ao crescimento da economia ‘wellness’, que tem foco em saúde e bem-estar. Segundo a médica nutróloga Suzana Viana, que tem formação em gastroenterologia, a banana viralizou não por ser uma novidade, mas por se encaixar perfeitamente no estilo de vida moderno.
Ela explica que, com mais gente buscando alimentos naturais, acessíveis e funcionais, mais pessoas redescobriram a banana como um “superalimento do cotidiano”. Ao mesmo tempo, há o boom do fitness e dos pré-treinos naturais. “Muita gente trocou barras e produtos industrializados por combos como: banana e pasta de amendoim, banana e whey, bananas congeladas para bater em smoothies. Virou símbolo de simplicidade eficaz”, diz Suzana.
Vídeos em redes sociais, como Reels do Instagram e os conteúdos do TikTok também ajudaram a popularizar receitas com bananas, como panquecas, os overnight oats (pudins de chia e aveia), bolinhos de airfryer e sorvete natural. “É fácil, barato e esteticamente bonito, o que pesa muito nas redes”, acrescenta a médica.














