Já virou rotina os institutos de pesquisa apontarem o destaque da Bahia em indicadores nacionais de violência e homicídios. O mais recente veio nessa quinta através do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, segundo o qual a Bahia lidera o ranking nacional de mortes violentas intencionais com 5.473 vítimas em 2025. É o maior número absoluto do país e representa 13,4% de todas as mortes no Brasil no ano passado. A Bahia foi também o único estado a romper a casa dos 5 mil assassinatos, 40,7% acima do Rio de Janeiro, além de apresentar uma taxa por 100 mil habitantes (36,8) quase o dobro da média nacional (19,1).

Esta edição do Anuário rendeu ao PT o selo inglório de qualidade às avessas, já que das dez cidades mais violentas do Brasil, oito ficam em estados governados pelo partido. A Bahia “de paz” de Jerônimo Rodrigues sozinha carimba cinco delas: Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro. O Ceará, governado por Elmano de Freitas, responde por outras três: Maranguape, que lidera o ranking, Maracanaú e Caucaia. O número reforça a percepção de que a sigla não conseguiu até aqui apresentar políticas viáveis para reestabelecer a segurança das cidades e, em certa medida, parece até ter jogado a toalha quando o assunto é enfrentar a escalada da violência.

Tirado a paladino da moralidade e dos bons costumes, o ex-ministro Rui Costa (PT) provou mais uma vez que é adepto do ditado “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Em franca campanha para tentar chegar ao Senado, Rui ganhou a autorização para quarentena remunerada, o que lhe permite receber seu pomposo salário de ministro de R$ 46,4 mil por seis meses. Em suma: Rui vai ganhar sem trabalhar. No discurso, Rui gosta de posar de defensor da moralidade, mas na prática não perde a oportunidade para se lambuzar com as benesses do Estado. Convenhamos: pode até não ser ilegal, mas é no mínimo imoral.

Aliados do senador Jaques Wagner (PT) têm defendido que o cacique petista entre em um processo de “hibernação” enquanto ainda estão em evidência os desdobramentos da operação da Polícia Federal contra ele. Tanto pessoas próximas de Jerônimo quanto de Rui Costa acreditam que a exposição de Wagner prejudica a todos da chapa, algo que já vem sendo sentido em pesquisas internas. a orientação deles é que o senador pare de dar entrevistas e faça uma seleção de eventos, participando apenas dos PGPs, cujo público é mais controlado. Contudo, a indicação não tem sido seguida.

Abre o olho, Rosemberg 

A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos (PSD), parece não estar satisfeita com o cargo e quer se tornar líder do governo Jerônimo na Casa. Pelo menos é assim que a deputada vem se comportando. Nesta semana, na ânsia de mostrar sua subserviência ao governo, Ivana decidiu atacar nomeações de ex-prefeitos que atuam em cargos na Prefeitura de Salvador. A fala, naturalmente, teve uma repercussão péssima para a deputada, que atacou a classe política e demonstrou desrespeito com colegas. Pegou mal até mesmo entre seus aliados. Já há quem brinque que o líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), deve abrir o olho com as aspirações de Ivana. Que maldade!

prefeitura de ilheus

Um segundo problema da fala de Ivana é que ela decidiu mexer numa verdadeira caixa de pandora que são as nomeações de políticos na própria Alba e no governo do estado. A deputada parece ter esquecido que o genro dela foi nomeado para a superintendência do SAC na Bahia.

Além disso, é dela também a nomeação de um ex-prefeito para a diretoria de terminais da Secretaria da Infraestrutura da Bahia, cargo para o qual o aliado de Ivana, dizem técnicos do setor, não entende bulhufas. Mas ambos devem ter chegado aos cargos pelos méritos próprios, né, Ivana?! A presidente Ivana Bastos prometeu levar à Mesa Diretora, assim que a Casa voltar do recesso, uma representação contra o deputado Leandro de Jesus (PL) por arrancar a placa da BA-649. Zelo elogiável, não fosse o detalhe de haver ligeireza inversamente proporcional ao caso do deputado Binho Galinha (PSD), preso desde outubro do ano passado sob acusação de chefiar milícia e condenado pela Justiça a mais de 36 anos no último dia 9 por posse ilegal de arma, numeração adulterada e fornecimento de arma de fogo a adolescente. Dizem em Guanambi, capital do Sertão Produtivo, que o prefeito Nal Azevedo está com o juízo fervendo entre manter o apoio ao governador Jerônimo e ficar contra o seu eleitorado local, que majoritariamente tem apresentado preferência pela candidatura de ACM Neto ao governo do Estado. Aliados fazem a ressalva que, mais importante que manter acordos políticos, é não ficar de costas para o povo, sob o risco de ficar falando sozinho.

Por falar em Rosemberg, o petista ganhou a fama de “comentarista oficial” das entrevistas de ACM Neto porque sempre sai à imprensa com impressões sobre cada palavra dita pelo ex-prefeito de Salvador. Brincam os mais descontraídos que a fixação do petista por Neto pode causar ciúmes ao governador Jerônimo Rodrigues, que vê seu líder na Assembleia Legislativa mais concentrado na agenda da oposição do que na defender do governo, apesar da missão inglória de defender situações indefensáveis. Prefeitos de cidades médias e pequenas da base governista andam preocupados com o que chamam de mudança no humor do eleitorado de seus respectivos municípios. Em conversas reservadas entre eles, os prefeitos dizem que dificilmente Jerônimo irá alcançar o resultado de 2022, quando teve votações expressivas, nem mesmo com a “força da máquina”. Para eles, impactam o cenário o desgaste do governador e a queda da popularidade do presidente Lula. Um desses prefeitos tem rodado pesquisas com frequência e o resultado, diz ele, é preocupante.