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Decisão envolve show realizado no aniversário de São Luís, no Maranhão, em setembro de 2025

Gusttavo Lima realiza transmissão de evento na Globo

Gusttavo Lima realiza transmissão de evento na Globo Crédito: Reprodução | Instagram

A Justiça do Maranhão anulou o contrato de R$ 1,2 milhão firmado pela Prefeitura de São Luís para um show do cantor Gusttavo Lima e condenou a empresa responsável pela contratação a devolver R$ 300 mil aos cofres públicos. A decisão aponta sobrepreço no cachê e irregularidades nas condições de pagamento. As informações são do Metrópoles.

A sentença foi assinada na sexta-feira (9) pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís. A apresentação ocorreu em 8 de setembro de 2025, durante as comemorações pelos 413 anos da capital maranhense.

Mansão de Gusttavo Lima em Goiás por Reprodução

Segundo a decisão, o município pagou R$ 1,2 milhão pelo show, valor R$ 300 mil superior ao cobrado pela mesma empresa por uma apresentação do artista em Petrolina, Pernambuco, onde o cachê foi de R$ 900 mil.

Como o espetáculo foi realizado e acompanhado pelo público, a Justiça determinou a devolução apenas da diferença considerada indevida, e não do valor integral do contrato.

Justiça aponta falhas na pesquisa de preços

Ao analisar a contratação, o magistrado considerou insuficiente a pesquisa de preços feita pela Secretaria Municipal de Cultura. O levantamento utilizou notas fiscais de eventos corporativos realizados em Sairé, em Pernambuco, Brasília e Rio de Janeiro, com valores entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões, apresentadas pela própria empresa contratada.

A pesquisa, conforme a sentença, não levou em consideração o contrato firmado em Petrolina, onde a mesma empresa cobrou R$ 900 mil por um show de Gusttavo Lima durante o São João do município.

A decisão também citou os cachês de outros artistas contratados para o aniversário de São Luís. Joelma recebeu R$ 500 mil, Pabllo Vittar, R$ 523 mil, e Matheus & Kauan, R$ 640 mil.

Pagamento foi autorizado antes da apresentação

Outra irregularidade identificada pela Justiça foi a mudança nas condições de pagamento. A minuta inicial do contrato previa o pagamento de 50% após a assinatura e dos outros 50% no dia do show. A versão final, porém, permitiu que o valor integral fosse pago até dez dias antes da apresentação.

De acordo com a sentença, os R$ 1,2 milhão foram empenhados, liquidados e tiveram ordem de pagamento emitida em 20 de agosto de 2025, quase 20 dias antes do evento. Na mesma data, um documento fiscal registrou a execução de um serviço que ainda não havia sido realizado.

O juiz entendeu que o procedimento contrariou normas legais sobre a liquidação de despesas públicas e o pagamento de contratos administrativos.

Empresa terá de devolver dinheiro aos cofres públicos

Além de ressarcir o município em R$ 300 mil, com correção monetária e juros de mora, a Balada Eventos e Produções Ltda. deverá pagar as custas processuais comprovadas e honorários advocatícios aos autores da ação popular, fixados em 10% do valor da condenação.

A ação foi apresentada pelos advogados Gilmar Pereira Santos e Josemar Emílio Silva Pinheiro, que pediram a anulação do contrato e a devolução dos recursos públicos.

O então prefeito de São Luís, Eduardo Braide, também foi incluído inicialmente no processo, mas deixou de ser réu em abril de 2026. Segundo o Metrópoles, a Justiça considerou que não havia individualização de conduta que justificasse sua permanência na ação.

A reportagem do Metrópoles informou que procurou a assessoria de imprensa de Gusttavo Lima para comentar a decisão, mas não recebeu resposta até a publicação.