Testemunhas detalham os minutos que antecederam morte de empresário ao furar blitz

Nas duas horas que antecederam o trajeto que terminaria em sua morte, Fernando Coelho, 39 anos, viveu um típico sábado. Acompanhado da esposa, curtiu o fim de tarde em um restaurante da zona nobre de Feira de Santana, onde pediu cerveja, moqueca de camarão e seis caipiroscas. Quando o céu escureceu, decidiu pedir a conta – que deu R$ 312 – e aproveitar a noite no rancho que possuía em Santo Estevão, onde não chegaria a desembarcar.
Pouco depois das 18h20 de 12 de outubro, Fernando e a dentista Tainá Alves, 30, levantaram da mesa rumo ao carro, um Ônix parado ao lado, no bairro SIM. O empresário sentou no banco do motorista, ela foi no carona. O casal partiu em direção à Avenida Artêmia Freitas, um dos points da boemia local, antes de entrar na Avenida Noide Cerqueira. Assim que cruzou a via, ele viu uma blitz
A operação, montada pelo Esquadrão Asa Branca da Polícia Militar (PM), tentava flagrar quem pretendia iniciar a noite na Artêmia e aqueles que, como Fernando, voltavam de bares.
O motorista flagrado alcoolizado pode ser multado em R$ 3 mil, proibido de dirigir e preso. Caso se negue a soprar o bafômetro, a pessoa não pode ser presa imediatamente, mas as possíveis sanções administrativas são idênticas.
Nenhuma das opções foi a escolhida por Fernando, que acelerou o carro em uma das principais e mais movimentadas vias da cidade.
Do lado oposto da Av. Noide, um casal flagrou o momento em que Fernando seguia na contramão da via, na altura de um mercado, com duas motos da PM no encalço. No segundo 40 da gravação, o contorno do carro fica imperceptível e surge uma viatura da polícia, no sentido contrário. Nesse momento, ouvem-se sete disparos
Quando os tiros cessam, o carro pára, Tainá sai do veículo e os policiais gritam: “Deita”. Não há sinal de Fernando. O vídeo é encerrado.
Na primeira nota oficial divulgada pela PM, consta que os agentes atiraram “diante da iminente ameaça” depois de o condutor desobedecer às ordens de parada, com sirenes e giroflex, e avançar em direção aos policiais. Ainda segundo os agentes, foram encontradas uma arma e munições dentro do carro.
A Polícia Civil (PC) acrescentou outro suposto fato: quatro policiais já foram ouvidos e afirmaram que após o carro ser “jogado” contra eles, houve um “confronto” (não detalhou o tipo) e o motorista ficou ferido.
A família contesta ambas. “Quando viram a merda que fizeram, tentaram plantar uma arma. Meu irmão não andava armado. Ainda que ele estivesse com uma arma no carro, não teria justificativa para atirar”, acusa Fábio Coelho, irmão de Fernando, aos prantos. “Não caiu a ficha, meu irmão está morto”, completa. Crime aconteceu em uma via feirense Crédito: Arisson Marinho/CORREIO
O empresário era conhecido na cidade. Há duas décadas, ele possuía uma loja de venda de celulares no centro, chamada por seu apelido (Lengo), e alugava carros. Fora do trabalho, no entanto, o nome dele também já tinha repercutido em Feira.














