Partido Missão: o projeto de poder de Renan Santos e do MBL

No dia 26 de abril de 2025, o Sorocaba Park Hotel, no interior de São Paulo, abrigou um encontro que, à primeira vista, poderia ser confundido com uma convenção de vendas de uma startup. O auditório de 316 metros quadrados estava ocupado por cerca de 430 jovens, em sua maioria homens de 18 a 30 anos. Eles não estavam ali para aprender sobre novos softwares ou técnicas de marketing digital, embora o domínio dessas ferramentas fosse parte intrínseca do encontro. Tratava-se da nova turma da Academia MBL, o braço de formação de quadros do Movimento Brasil Livre.
O clima no salão misturava a euforia de um show de rock à disciplina de um cursinho preparatório. Aos 42 anos, Renan Santos, fundador e um dos principais estrategistas do movimento, subiu ao palco para falar aos presentes. “A gente tá vivendo o teste do tempo. Nós estamos aí há dez anos. Porque nós não nos vendemos”, discursou, sendo imediatamente ovacionado pela plateia.
O encontro em Sorocaba não era apenas uma celebração de sobrevivência. Era a consolidação de uma transição. Após doze anos atuando na política brasileira, abrigando seus membros em legendas como DEM, Podemos e União Brasil, o MBL preparava o terreno para voar solo. Após o encontro em Sorocaba, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovaria, no início de novembro de 2025, a criação do Partido Missão, a 30ª sigla do país. O partido, registrado no cartório civil em 23 de outubro de 2023, obteve mais de 500 mil apoios válidos e comprovou a constituição de diretórios estaduais em pelo menos 9 unidades da Federação.
Com a aprovação do TSE, o Missão, além de poder lançar candidatos às eleições e participar oficialmente do processo eleitoral, também garantia o direito aos recursos do Fundo Partidário e ao acesso gratuito à rádio e televisão. Com o caminho livre, o outsider Renan Santos sairia como candidato à Presidência, o que se confirmou em convenção do partido em julho deste ano. O candidato a vice de Renan será Aroldo Medina, militar da reserva.
A Agência Pública procurou Renan Santos, o Partido Missão e o MBL para esta reportagem, mas não obteve retorno até a publicação.
Agência Brasil













