Rui Costa solta a mão de Wagner, o sincericídio de Jerônimo e o efeito reverso na estratégia petista

A propaganda eleitoral pode até vender a imagem de união entre Rui Costa e Jaques Wagner, mas, nos bastidores do PT, porém, aliados já enxergam uma realidade bem diferente. Rui, segundo relatos feitos à coluna, teria largado de vez a mão de Wagner e adotado a regra do “farinha pouca meu pirão primeiro”. O comportamento de Rui em torno do caso Banco Master tem reforçado essa percepção. Mesmo diante do desgaste provocado pelo episódio para Wagner, Rui não demonstra disposição para aliviar o assunto e continua tratando do tema em suas movimentações políticas. A pessoas próximas, Rui também teria deixado claro qual é sua prioridade: garantir sua própria eleição ao Senado. Segundo interlocutores, ele tem dito que não pretende carregar nas costas a reeleição de Wagner.
Condomínio do Jero
Num lapso de confissão, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) admitiu esta semana, durante um encontro com líderes evangélicos, lhe faltar experiência administrativa para o desafio de governar a Bahia. “No máximo eu fui síndico do prédio onde eu morei. E não foi de eleição, era rodízio”, disse o petista, num estranho tom de quem se orgulhava da declaração. Seja como for, a fala acabou despertando a curiosidade de como era, afinal, o tal condomínio administrado por Jerônimo, a considerar que sua gestão como chefe do Executivo baiano não tem muitos indicadores para se orgulhar.
Sincericídio
Também esta semana, Jerônimo cometeu o sincericídio de vincular expressamente o caso da operação Compliance Zero aos seus aliados mais íntimos. Enquanto a turma tenta, sob constrangimento inescapável, afastar o tema, o governador disse que o rebuliço das investigações chegou “até nós”, referindo-se ao seu grupo político, que tem um secretário de Estado e um senador como alvos da Polícia Federal na operação. A declaração, a despeito da notoriedade nacional do caso, soou como um verdadeiro confessionário, lançando luz sobre a atração dos seus companheiros de chapa na venda do Credcesta, que acabou por se tornar o principal ativo do banco de Vorcaro.
”Sempre juntos”
Por falar em secretário de Estado, reapareceu esta semana um vídeo em que o titular da pasta do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, faz manifestações públicas de afeto a um advogado também preso no rol das investigações do Banco Master. Trata-se de Daniel Monteiro, que, na ocasião, foi homenageado na Assembleia Legislativa com o título de cidadão baiano, pelas mãos do petista Rosemberg Pinto. Representando o governador Jerônimo Rodrigues, Sodré não escondeu a proximidade e, durante o discurso, dirigiu-se ao homenageado com um “estamos sempre juntos”. Tempos depois, Monteiro foi preso pela Polícia Federal. Já Sodré, segue no cargo de secretário.
Efeito reverso
A ofensiva dos últimos dias contra a candidatura de oposição na Bahia, com vazamento seletivo, suposta delação e documentos apócrifos, provocou efeito reverso no interior do estado, segundo lideranças. O ataque orquestrado pareceu, na avaliação desses interlocutores, um sinal de certo desespero diante da dificuldade do próprio governo de conter votos que estão escorrendo entre os dedos e migrando para a oposição. Já tem gente falando até que “o governo sabe o tamanho da lapada” e estaria fazendo movimentos de redução de danos. Há quem avalie que Neto virou uma espécie de fermento, quanto mais bate, mais ele cresce.
Na surdina
A menos de três semanas das eleições, não se fala outra coisa no interior a não ser da desconfiança do governo quanto à atuação de prefeitos que estariam agindo na surdina, fazendo um apoio parcial à campanha de Jerônimo Rodrigues. Isso porque muitos gestores que pregam fidelidade ao petista, na prática, liberaram suas bases para votar como quiserem, o que, por tabela, faz o voto migrar para ACM Neto. De tal modo que, já na largada, fica evidente que o tal prefeito não conseguirá repetir a performance de quatro anos atrás, uma vez que sua equipe de apoiadores é consideravelmente menor. Como resumiu um vereador esta semana: “Os prefeitos estão na surdina, e se o governo apertar, fica pior”.
Fogo amigo
A ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho (MDB) está descobrindo que, em política, às vezes o adversário mais perigoso não mora do outro lado da rua, mas dentro de casa. No município, a deputada Ivoneide Caetano (PT), esposa do prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), avançou sobre o território político da ex-prefeita e vem atraindo lideranças que historicamente marchavam com Moema, que saiu de 2024 enfraquecida e segue perdendo força na cidade.
Ciúmes da favorita
Um fato do governador Jerônimo Rodrigues segurando uma placa da ex-secretária da Educação e candidata a deputada estadual Rowenna Brito (PT) causou uma enorme ciumeira na base governista. Alguns deputados e postulantes já andam incomodados com o tratamento vip de Rowenna no governo, mas a imagem do governador aumentou a temperatura. A questão é que, segundo governistas, a ex-secretária vem recebendo privilégios e conta com a mão amiga de Jerônimo em sua caminhada, coisa que outros não estão tendo. O que teve de gente chateada não está no gibi…
Duplamente perplexo
Um prefeito de uma cidade média do interior do estado relatou nesta semana sua dupla perplexidade a um deputado ao avaliar o cenário no município. Primeiro, confidenciou que, em uma pesquisa para consumo interior, percebeu uma queda vertiginosa do presidente Lula, que na cidade teve quase 80% dos votos válidos em 2022. Além disso, contou que, em um dos distritos, os eleitores avisaram que seguem votando em Lula, mas rejeitaram expressamente o apoio a Jerônimo. Da base governista, o prefeito relatou que saiu abismado.












