São Paulo, setembro de 2023 – Nos últimos anos, tem-se falado muito que as doenças cardiovasculares são a principal causa de óbito no Brasil e no mundo. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), são contabilizadas mais de 1,1 mil mortes diárias decorrentes de alguma patologia do coração. Porém, quando se compara aos homens, verifica-se que as mulheres têm maior predisposição para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Segundo o estudo WISE (Women’s Ischemia Syndrome Evaluation – em português, Avaliação da Síndrome de Isquemia Feminina), em geral, 1/3 das mulheres vai a óbito por doenças cardiovasculares. Dessas, 47% são em decorrência de doenças coronarianas, também conhecidas como infartos. Dentre as mais comuns, estão: INOCA (Isquemia na Ausência Obstrutiva Arterial Coronariana), MINOCA (Infarto do Miocárdio na Ausência Obstrutiva Arterial Coronariana) e Vasoespasmo Coronariano.
“O estudo WISE nos mostra que mais de 60% das mulheres que chegaram ao pronto-socorro com queixa de dor no peito não possuíam obstrução, o que, às vezes, leva a um diagnóstico errôneo. Desta forma, elas acabam sendo liberadas mais cedo do que o recomendado”, explica a Dra. Salete Nacif, cardiologista do Hcor. De acordo com o Colégio Americano de
Cardiologia, as mulheres com alguma das patologias citadas têm 4 vezes mais chances de reinternação em até 180 dias. “Isso quando não evolui para arritmias e até mesmo para a morte súbita”, completa.
Ainda de acordo com a cardiologista, o problema ocorre porque os mecanismos do infarto podem ser transitórios e não obstruir nenhuma artéria coronária, o que exige exames para diagnóstico mais complexos, como ressonância magnética cardíaca, testes com acetilcolina intracoronária e angiografia coronariana. Também é importante descartar outras possibilidades de patologias cardiovasculares, como miocardite, embolia pulmonar e cardiomiopatia, pois a chance de as doenças serem parecidas é muito grande.